Muóda

O fato é que eu adoro moda.

Nunca esqueço do fatídico desfile do Jum Nakao, em 2004, “A Costura do Invisível”.

No fim, as modelos simplesmente destruíram as roupas de papel vegetal que custaram ao artista 700 horas de trabalho!!

Olha só que foda:

Incrível, né?

Tive o privilégio de entrevistar o Jum pra uma matéria que fiz sobre a ética do fast fashion. Quem tiver interesse, leia aqui.

Corta pra 2015: ainda tem gente que acha que é super relevante apontar o dedo para o que o outro usa.

Não acho moda fútil. Acho importante e muitas vezes, sim, uma forma de arte. Se vestir também é se expressar. Pode reparar: às vezes a gente só usa uma cor por um tempo, que tem muito a ver com o que estamos sentindo. Ou tem a ver com nossa fase da vida: aos 20, eu era mega colorida! Hoje, quase trintona, opto pelos sóbrios na maioria. Ninguém disse que eu deveria fazer isso, apenas foi acontecendo.

Mas se tem uma coisa pra me irritar nesse meio, e muitas vezes, disseminado por muitas blogueiras, é que “isso só se usa com x”, ou “gorda não pode isso”, “baixinha não pode usar longo” (acreditei nesse último por muito tempo, hoje amo/sou vestido longo e cagay).

Tudo bem: proporção é importante. Mas às vezes você não quer ligar pra isso e quer ficar bem feliz marcando seu quadril largo/seus ombros/sua bunda avantajada.

Ninguém tem na-da a ver com isso!!

Te olharam estranho na rua? Taca um foda-se. Nós não somos só o que aparentamos.

Chega de ditadura, né, gente. Cada um usa o que gosta e que se sente bem, combinado? Não interessa o que for.

Porra, já tem tanta regra nessa vida e ainda me vem com issozzzzzzzzzzzzzzzz.

O mais bacana hoje, acredito, é reconhecer que roupa é uma parada descartável. Pra isso, se gasta recurso. E quanto mais coisas compramos sem refletir, pior! É mais recurso natural indo pro ralo, é mais gente gastando dinheiro sem pensar e, o lado mais obscuro, um monte de grande rede explorando e matando pessoas.

Não sabe do que eu tô falando? Dá uma lida no link que postei acima, e também veja essa série incrível da Noruega, onde blogueiros famosos do país vão trabalhar em fábricas do Camboja.

Essa, sim, é uma reflexão pertinente.

Vamos usar mais os brechós, fazer escambo entre amigas. E, sobretudo, não julgar o outro.

Pode ser que a pessoa que está ao seu lado não se interesse por roupa. E tudo bem!

Béjs