Come, ué!

Alguém poderia me explicar quando começou essa obsessão louca por comida/dieta/#nopainnogain?

Dia desses, estava num café aqui de Curitiba com o meu marido, quando chegaram duas amigas. Elas falaram com a garçonete e, uma delas, pediu um cheesecake. Mas não foi um: “oi, tudo bem? Vou querer um cheesecake”. Foi assim: “ai…será? Acho que vou querer o cheesecake! Sim, vou querer. Eu mereço. Amanhã eu corro.”

Meu….

NOOOOOOOOA

Que tal vou comer porque é gostoso? E vou curtir um café com uma amiga querida?

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te joga, miga

Ok, não estou no exército da salvação. Tenho minhas piras também. E, sim, me preocupo com o peso e a saúde. Mas essa culpa toda que as pessoas vêm jogando em cima da comida é algo bizarro.

Eu leio bastante sobre alimentação. Sou fã do Michael Pollan (vou falar mais dele,mas já o citei em matérias como essa), e acho que, sim, comer é um ato político. Que devemos refletir sobre nossas escolhas e fugir da manipulação que a indústria fez certinho ao longo dos anos. Nos fazendo acreditar, por muito tempo, que produtos ultra processados são comida, e não são.

Mas hoje, a pauta é: fazer dieta, fazer regime, se curar pelo suco verde. “Bom dia, vc tá magra/tá gostosa/ tá gorda/”. Aliás, vocês viram o bafão da blogueira australiana que FINGIU ter câncer terminal e ter se curado pela alimentação? Ela levou uma grana nessa, mas né, teve uma hora que a consciência pesou. Leia aqui o babado.

Fico bem triste de essa paranoia fitness ter atingido tanto nossas cabeças. Teve o lado bom: mais gente passou a prestar atenção nos seus hábitos, fazer exercício. Coisa que é necessária no Brasil, pois os índices de obesidade só crescem. O problema é que isso não é feito pela via do equilíbrio, mas sim pela via da culpa. Como se comer um bombom fosse te engordar instantaneamente.

Ficar falando sobre dieta e comida o tempo todo também deixa a gente meio obsessiva. Por exemplo: talvez a moça do cheesecake fique se privando tanto que aquilo vire um evento. Um dia eu disse isso pra uma amiga, que a sobremesa tinha virado “evento”, e ela riu. Mas qual é o grande problema em comer um pedaço de doce, se aquilo vai te trazer satisfação e se, principalmente, você estiver com vontade? E não por que é “dia do lixo” (já viram essa expressão bizonha? O povo se segura a semana inteira e no sábado come um caminhão e ainda chama comida de “lixo”).

Esse papo de privação nos tirou a noção do próprio corpo.

Por exemplo: um dia, minha nutricionista (faço acompanhamento porque sou vegetariana e preciso de umas vitaminas e etc) disse que tem que comer de três em três horas e tascou umas castanhas  às 11 da manhã. Meu, eu tomo café e almoço, eu não quero parar aquele horário pra comer três castanhas. Eu não tô com fome.

A questão é que não como as tais castanhas, e me sinto bem. E cada vez mais, tento prestar atenção no que o meu corpo quer.

Também noto que quando eu estou muito vidrada em comer da melhor forma possível, eu fico meio estressada. Quando não estou, eu até perco 1, 2 quilos sem perceber ( e às vezes nem querer).

E aí que eu sempre lembro da minha avó. Dona Alexandra, 8.5, gatona. A vida inteira ela pesa 56 quilos (teve 12 filhos, de parto normal, segura essa).Eu nunca na minha vida vi minha vó falando de dieta. Mas sempre vi ela comendo feijão com arroz todos os dias (só abre mão aos domingos), comendo pão branco (mas caseiro) e tomando sua cervejinha eventualmente. Nunca vi ela recusar uma sobremesa no domingo.

Mas também nunca vi ela repetindo prato, ou comendo meia travessa de doce.

Não que não possamos comer meia travessa ou repetir pratos.Mas, talvez, a chave pra essa histeria pelo corpo simplesmente seja: equilíbrio. Saber o que o seu corpo quer comer. Respeitar seu biotipo e curtir o momento bacana de comer.

Sair pra tomar um café sem ficar se justificando (por isso é tão bom sair com a Flávia). Ontem fomos bem faceiras na A Loja da Torta (lugar incrível gente, vão lá agora, sério), e comemos bolos sensacionais. Sem falar de dieta. Ou dizer que ia correr depois. Ou dizer que fazia mil anos que não comia bolo.

Olha que lindeza os bolos!

Olha que lindeza os bolos!

É isso. Vamos aproveitar os momentos de celebração que a comida nos proporciona. Sem culpa, fechado?

Beijo!