Dia das mães

Prestem atenção neste vídeo:

A Elizabeth Plank é uma escritora e editora que trabalha com o tema do feminismo. Achei importante falar sobre esse vídeo aqui hoje, no Dia das Mães, porque, infelizmente, ainda há uma série de mitos sobre a maternidade que levaram, inclusive, muitas mães a não poderem decidir se querem ou não ter filhos.

No vídeo em questão ela mostra uma mulher incrível, que dedica a vida pra questões sociais, e aborda um pouco da visão machista e cristã de que não ter filhos é algo egoísta.

Mas, se ela não se dedicasse pra essas causas e, simplesmente, não quisesse ter filhos. Teria algum problema?

Não.

Temos que parar com essa ideia de que todas as mulheres nascem com um “instinto maternal”, e que elas amam/amaram abrir mão de uma série de coisas na vida pra serem mães.

Muitas e muitas mães de ferraram/se ferram bastante pra criar o filho/a praticamente sozinhas. A Clara Averbuck conta isso muito bem no maravilhoso texto publicado também hoje no Lugar de Mulher.

Eu não tenho filhos e não tenho certeza se eu quero ter. Apesar de ser uma pessoa mega família.

Dia desses, senti uma pressão que jamais havia sentido antes: minha ginecologista pediu “quando vinham os filhos”, e eu respondi que não sabia. Ela se apressou em dizer que não pode esperar muito, falar do relógio biológico e sobre o quanto “fica perigoso” “depois dos 35”.

Saí da consulta me sentindo um lixo, ainda mais por que meu cônjuge é dois anos mais novo do que eu, e ele também não sabe se quer ser pai.

Daí comecei a pensar bastante no assunto. E concluí o que, infelizmente, ainda é enxergado como “normal”: a responsabilidade fica MUITO MAIS nas costas da mulher. Isso na melhor das hipóteses, porque muitas criam os filhos completamente sozinhas, porque o pai some. Ou precisam brigar na Justiça pra que ele pague pensão. Ou são agredidas de forma recorrente pelo marido e muitas vezes pelos filhos também. Etc e etc.

Minha mãe mesmo (que é uma mãe incrível e maravilhosa): ela e meu pai tiveram filhos com 20 e poucos anos sem esperar ou se preparar. Ela abdicou de várias coisas. Era ela quem ficava sábado de noite conosco em casa brincando e nos cuidando, Meu pai pode viajar mais, sair mais e curtir mais a vida. Simplesmente porque ele é homem.

Quando ela tinha 34, veio meu irmão caçula. Com ele, foi diferente. Meu pai era mais presente, e eu e meu irmão ajudávamos e amávamos fazer isso. Aliás, criança é um barato. Ele sempre foi um menino muito querido e é legal ver a evolução da pessoa com o passar dos anos. Mas, obviamente, minha mãe também foi quem  assumiu mais responsabilidades pela educação dele.

Tenho primas mais velhas e mais novas com filhos. Com raras exceções, sobra BEM MAIS pra elas. Sobrou bem mais pra minhas avós,minhas tias, pra mãe da minha sobrinha.

Não seria o mínimo do sensato que os homens assumissem mais tarefas? ÓBVIO QUE SIM!

Mas, além do machismo, nossa legislação MA-RA-VI-LHO-SA (só que ao contrário), dá uma semana de licença paternidade pros caras. Não dá nem pra eles terem um gostinho do tranco que é, ou criar esse vínculo de uma maneira mais forte logo no começo.

Aí eu vejo de forma recorrente mulheres frustadas, chateadas. E que sempre fazem questão de lembrar o tempo todo que “depois que tem filho”, não dá pra fazer mais um monte de coisa. Mas que, mesmo assim, é maravilhoso. Ao que eu pergunto: será? Em tempo: os maridos dessas mulheres nunca falam que deixaram de fazer algo depois que o filho/a nasceu.

Eu não sei responder a pergunta, pois não sou mãe. Provavelmente, seja maravilhoso sim.

O que sei, por enquanto, e o que vejo no meu dia a dia é que bastante gente tem filho por ter. Pra ter um modelo de família “perfeita” (casal, filhos e cachorro). Mas aí vira uma mãe negligente e ausente.

Ou porque quer/é pressionada a se encaixar no padrão. Lemos o tempo todo nas entrelinhas que uma mulher é “mais mulher” ou é “melhor” se ela é mãe (que é um discursinho mega disseminado nessa data).

Sempre tem alguém pra falar coisas do tipo: “quando você tiver um filho vai saber”, ou “ah, você diz isso mas vai querer ter filhos sim.”

Cara, quer me tirar do sério? Faça comentários assim.

Vamos ter, entre nós, mulheres,mais empatia? Pode ser, REALMENTE, que sua amiga ou colega de trabalho não deseje filhos. Conheço e convivo com mulheres que não quiseram ou simplesmente não tiveram porque não rolou (não acharam parceiros que elas considerassem bacanas), e tem que viver com essa culpa. Se consideram “menos”. E isso é muito triste, e não é justo.

O amor incondicional acontece pra todos. Não só pra quem é mãe.

Ademais, espero que as mães tenham tido, e tenham sempre, dias melhores. Que não se sintam na obrigação de carregar sozinhas todas as responsabilidades nas costas, e não se esqueçam delas mesmas.

Beijo!

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